Folheto

por soaressilva

Um novo conceito de fitness: cardiobullying. No cardiobullying um menino fracassado socialmente é trazido dopado num saco pela profa Gilza (terças e quintas) ou pelo prof Ademar (segundas e quartas). Em seguida há uma sessão bastante agitada de perseguição em volta da pista de cooper, terminando em dez minutos de cardioboxe com o menino servindo de saco de areia humano. “Sacos de areia humanos são mais valorizados pelos especialistas devido à sua imprevisibilidade”, diz a Profa Gilza Arruda, 33.

Mas atenção: se o aluno não for trazido dopado, mas apenas amarrado, desconfie da qualidade da academia. A profa Gilza explica que “quando o menino chega só amarrado ele já começa a aula exausto de ficar estrebuchando dentro do saco, e os tiros de sprint para alcançar o garoto acabam sendo um desapontamento. Aerobullying não é só cardioboxe, é corrida, alongamento e uma excelente forma de entrosamento social. Um treino para todo o sistema cardiovascular e para o complexo neuro-motor. Mas claro, quem não gosta de dar umas porradas?”

A modalidade chegou ao Brasil nos anos noventa, segundo a profa Gilza, quando ainda era conhecida como aerospanking. “Tudo começou com uma dona de casa em Miami que estava batendo no bumbum do filho quando uma música techno começou a tocar no rádio, This is the Rhythm of the Night, e ela começou a sincronizar os tapas no filho com o ritmo da música. No início do milênio o cardiospanking virou moda nos Estados Unidos como uma maneira de ficar em forma em casa com pouco equipamento. Era só comprar um aparelho de som, uma luva especial para evitar que todo o sangue fique na palma da mão,  baixar a calça do filho ou da filha e perder muitas calorias se divertindo” diz Gilza. “Inclusive muitas crianças samoanas acabaram sendo adotadas para a prática do aerospanking, porque elas são muito macias,” explica Ademar, que junto com Gilza é a dono da academia no bairro do Butantã desde 2010.

O cardiobullying (também conhecido no Brasil como “aerobule”) foi desenvolvido a partir do aerospanking para ser feito em grandes academias, e logo virou coqueluche. “Não requer muito equipamento, só um menino tímido ou com problemas de dicção, ou até uma menina que não fala ou com sudorese, espaço para corrida e luvas de vale-tudo”, diz a prof Gilza, que em 2005 foi campeã nos EUA de MMA adulto contra criança e atualmente faz mestrado em Educação Física.

Para quem está interessado em perder peso de maneira divertida, a academia também oferece: aerotwitter, aerosoneca, cardiolanche vegetariano (mastigação de alface enquanto se dança zouk),  aerodogging, cardiocuckold, cardiopunheta, cardiovoltinha na praça, aerosorvete de milho, o you-thai (a prática de ver vídeos do youtube durante luta de muay thai) e finalmente, para os alunos católicos com pouco tempo de ir à missa, o cardiorosário. Mais informações com Elenita no horário comercial.

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